DO BERÇO AO CAIXÃO

(para o meu irmão)

 

Aldina Ferraz Santos

Quando vi aquele berço
Com um lindo véu
Aguardando a tua chegada
Senti ciúmes
Não queria chegasses...

Depois gostei da tua companhia
De brincar contigo de cantar
Descobrir que era mais esperta
E podia roubar-te a sobremesa

Um dia começaste a rir e a chorar
Ao mesmo tempo, sem parar...
Foi então que te perdi pela primeira vez
Para a loucura, dor e sofrimento

E ficaste encarcerado em vida
Dentro do teu póprio corpo

Agora te perdi pela segunda vez
Para a bendita morte
Que te levou para longe de uma vez
Presentendo-te com a tua tão sonhada liberdade!

Tudo isto aconteceu tão rápido...

Do berço ao caixão
Da casinha de cobertas ao túmulo
Parece que tudo acontece num único segundo:
A nossa infância, a nossa vida, a nossa morte!...

 

© Geraldo de Azevedo 2004

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