A
palavra de Jesus a Nicodemos foi suficientemente clara.
Desviá-la
para interpretações descabidas pode ser compreensível no sacerdócio
organizado, atento às injunções da luta humana, mas nunca nos espíritos
amantes da verdade legítima.
A
reencarnação é lei universal.
Sem
ela, a existência terrena representaria turbilhão de desordem e injustiça;
à luz de seus esclarecimentos, entendemos todos os fenômenos dolorosos
do caminho.
O
homem ainda não percebeu toda a extensão da misericórdia divina, nos
processos de resgate e reajustamento.
Entre
os homens, o criminoso é enviado a penas cruéis, seja pela condenação
à morte ou aos sofrimentos prolongados.
A
Providência, todavia, corrige, amando... Não encaminha os réus a prisões
infectas e úmidas. Determina somente que os comparsas de dramas nefastos
troquem a vestimenta carnal e voltem ao palco da atividade humana, de
modo a se redimirem, uns à frente dos outros.
Para
a Sabedoria Magnânima nem sempre o que errou é um celerado, como nem
sempre a vítima é pura e sincera. Deus não vê apenas a maldade que surge
à superfície do escândalo; conhece o mecanismo sombrio de todas as circunstâncias
que provocaram um crime.
O
algoz integral como a vítima integral são desconhecidos do homem; o
Pai, contudo, identifica as necessidades de seus filhos e reúne-os,
periodicamente, pelos laços de sangue ou na rede dos compromissos edificantes,
a fim de que aprendam a lei do amor, entre as dificuldades e as dores
do destino, com a bênção de temporário esquecimento. |