Na
parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do
insucesso em que se infelicita.
Recebera
mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara
apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto
aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas
pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como
desejariam. E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo
de trabalhar.
Medo
de servir.
Medo
de fazer amigos.
Medo
de desapontar.
Medo
de sofrer.
Medo
da incompreensão.
Medo
da alegria.
Medo
da dor.
E
alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço
para enriquecer a existência.
Na
vida, agarram-se ao medo da morte.
Na
morte, confessam o medo da vida.
E,
a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se,
gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se
recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente
dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais
sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a
com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa
aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor. |