Não
nos é fácil desvencilharmos dos laços que nos imantam aos círculos menos
elevados da vida aos quais ainda pertencemos.
Apesar
de nossa origem divina, mil obstáculos nos prendem à idéia de separação
da Paternidade Celeste.
Cega-nos
o orgulho para a universalidade da vida. O egoísmo encarcera-nos o coração.
A vaidade ergue-nos falso trono de favoritismo indébito, buscando afastar-nos
da realidade.
A
ambição inferior precipita-nos em abismos de fantasia destruidora. A revolta
forma tempestades de ódio sobre as nossas cabeças.
A
ansiedade fere-nos o ser.
E julgamos, nesses velhos conflitos do sentimento, que pertencemos ao
corpo físico, ao preconceito multissecular e à convenção humana, quando
todo o patrimônio material que nos circunda representa empréstimo de forças
e possibilidades para descobrirmos nós mesmos, enriquecendo o próprio
valor.
Na maioria das vezes, demoramo-nos no sombrio cárcere da separação, distraídos,
enganados, cegos...
Contudo,
a vida continua, segura e forte, semeando luz e oportunidade para que
não nos faltem os frutos da experiência.
Pouco
a pouco, o trabalho e a dor, a enfermidade e a morte, compelem-nos a reconsiderar
os caminhos percorridos, impelindo-nos a mente para zonas mais altas.
Não desprezes, pois, esses admiráveis companheiros da jornada humana,
porquanto, quase sempre, em companhia deles, é que chegamos a compreender
que somos de Deus.
Emmanuel
(Do livro: "Vinha de Luz " - Editora: FEB) |