Assim como as criaturas, em geral, converteram as produções sagradas da
Terra em objeto de perversão dos sentidos, movimento análogo se verifica
no mundo, com referência aos frutos do pensamento.
Freqüentemente as mais santas leituras são tomadas à conta de tempero
emotivo, destinado às sensações renovadas que condigam com o recreio pernicioso
ou com a indiferença pelas obrigações mais justas. Raríssimos são os leitores
que buscam a realidade da vida.
O
próprio Evangelho tem sido para os imprevidentes e levianos vasto campo
de observações pouco dignas.
Quantos
olhos passam por ele, apressados e inquietos, anotando deficiências da
letra ou catalogando possíveis equívocos, a fim de espalharem sensacionalismo
e perturbação?
Alinham,
com avidez, as contradições aparentes e tocam a malbaratar, com enorme
desprezo pelo trabalho alheio, as plantas tenras e dadivosas da fé renovadora.
A
recomendação de Jesus, no entanto, é infinitamente expressiva.
É
razoável que a leitura do homem ignorante e animalizado represente conjunto
de ignominiosas brincadeiras, mas o espírito de religiosidade precisa
penetrar a leitura séria, com real atitude de elevação.
O
problema do discípulo do Evangelho não é o de ler para alcançar novidades
emotivas ou conhecer a Escritura para transformá-la em arena de esgrima
intelectual, mas, o de ler para atender a Deus, cumprindo-lhe a Divina
Vontade.
Emannuel
(Do livro: Vinha de Luz - Psicografia: Francisco Candido Xavier) |