O
homem enxerga sempre, através da visão interior.
Com
as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora.
Pelo
que sente, examina os sentimentos alheios.
Na
conduta dos outros, supõe encontrar os meios e fins das ações que lhe
são peculiares.
Daí,
o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se
contamine pelo mal.
Quando
a sombra vagueia em nossa mente, não vislumbramos senão sombras em toda
parte.
Junto
das manifestações do amor mais puro, imaginamos alucinações carnais.
Se
encontramos um companheiro trajado com louvável apuro, pensamos em vaidade.
Ante
o amigo chamado á carreira pública, mentalizamos a tirania política.
Se
o vizinho sabe economizar com perfeito aproveitamento da oportunidade,
fixamo-lo com desconfiança e costumamos tecer longas reflexões em torno
de apropriações indébitas.
Quando
ouvimos um amigo na defesa justa, usando a energia que lhe compete,
relegamo-lo, de imediato, à categoria dos intratáveis.
Quando
a treva se estende, na intimidade de nossa vida, deploráveis alterações
nos atingem os pensamentos.
Virtudes,
nessas circunstâncias, jamais são vistas.
Os
males, contudo, sobram sempre.
Os
mais largos gestos de bênção recebem lastimáveis interpretações.
Guardemos
cuidado toda vez que formos visitados pela inveja, pelo ciúme, pela
suspeita ou pela maledicência.
Casos
intrincados existem nos quais o silêncio é o remédio bendito e eficaz,
porque, sem dúvida, cada espírito observa o caminho ou o caminheiro,
segundo a visão clara ou escura de que dispõe. |