Quanto
mais nos adentramos no conhecimento de nós mesmos, mais se nos impõe
a obrigação de compreender e desculpar, na sustentação do equilíbrio
em nós e em torno de nós.
Daí
a necessidade da convivência, em que nos espelhamos uns aos outros,
não para criticar-nos, mas para entender-nos, através de bendita reciprocidade,
nos vários cursos de tolerância, em que a vida nos situa, no clima da
evolução terrestre.
Assim
é que, no educandário da existência, aquele companheiro:
que
somente identifica o lado imperfeito dos seus irmãos, sem observar-lhes
a boa parte;
que
jamais se vê disposto a esquecer as ofensas de que haja sido objeto;
que
apenas se lembra dos adversários com o propósito de arrasá-los, sem
reconhecer-lhes as dificuldades e os sofrimentos;
que
não analisa as razões dos outros, a fixar-se unicamente nos direitos
que julga pertencer-lhes;
que
não se enxerga passível de censura ou de advertência, em momento algum;
que
se considera invulnerável nas opiniões que emita ou na conduta que espose;
que
não reconhece as próprias falhas e vigia incessantemente as faltas alheias;
que
não se dispões a pronunciar uma só frase de consolação e esperança,
em favor dos caídos na penúria moral;
que
se utiliza da verdade exclusivamente para ameaçar ou ferir...
Será
talvez de todos nós aquele que mais exija entendimento e ternura, de
vez que, desajustado na intolerância, se mostra sempre desvalido de
paz e necessitado de amor. |