Trazes
contigo a flama do ideal superior e anelas concretizar os grandes sonhos
de que te nutres, mas, diante da realidade terrestre, costumas dizer
que a dificuldade é invencível.
Afirmas
haver encontrado incompreensões e revezes, entraves e dissabores, por
toda a parte, no entanto...
O
pão que consomes é o resumo de numerosas obrigações que começaram no
cultivo do solo; a vestimenta que te agasalha é o remate de longas tarefas
iniciadas de longe com o preparo do fio; o lar que te acolhe foi argamassado
com o suor dos que se uniram ao levantá-lo; a escola que te revela a
cultura guarda a renunciação de quantos se consagram ao ministério do
ensino; o livro que te instrui custou a vigília dos que sofreram para
fixar, em caracteres humanos, o clarão das idéias nobres; a oficina
que te assegura a subsistência encerra o concurso dos ceareiros do bem,
a favor do progresso; o remédio que te alivia é o produto das atividades
conjugadas de muita gente.
Animais
que te auxiliam, fontes que te refrigeram, vegetais que te abençoam
e objetos que te atendem, submetem-se a constantes adaptações e readaptações
para que te possam servir.
Se
aspiras, desse modo, à realização do teu alto destino, não desdenhes
lutar, a fim de obtê-lo.
Na
forja da vida, nada se faz sem trabalho e nada se consegue de bom sem
apoio no próprio sacrifício.
Se
queres, na sombra do vale, exaltar o tope do monte, basta contemplar-lhe
a grandeza, mas se te dispões a comungar-lhe o fulgor solar na beleza
do cimo, será preciso usar a cabeça que carregas nos ombros, sentir
com a própria alma, mover os pés em que te susténs e agir com as próprias
mãos. |